sexta-feira, 5 de maio de 2017

01 – Dylan Dog – O Despertar dos Mortos-vivos (Record)





Editora: Record 
Autores: Tiziano Sclavi (texto) e Angelo Stano (desenhos) 
Preço: Cr$ 490,00 (preço da época) 
Número de páginas: 100 
Data de Lançamento: Agosto de 1991

Sinopse: Após ver seu marido se transformar em zumbi e posteriormente manda-lo de volta ao mundo dos mortos cravando-lhe uma tesoura na cabeça, Sybil Browning decide contratar Dylan Dog, o mal afamado “Investigador do Pesadelo”, para que ele ajude a descobrir o que, de fato, aconteceu com o seu cônjuge.

Crítica:

 Publicada originalmente na Itália em outubro de 1986 com o título L'Alba dei Morti Viventi, a aventura de estreia de Dylan Dog já apresentava a maioria das características que o seu autor, Tiziano Sclavi, delineou para o personagem e que vieram a se tornar marcas registradas com o passar do tempo: uma história carregada de mistério, com ritmo envolvente, que não poupa nas cenas de violência e que tende para um final surpreendente, marcado por uma reviravolta ou, pelo menos, uma conclusão pouco convencional. Também chama atenção a presença de Groucho, o assistente pseudo-comediante que não para de destilar piadas de gosto altamente duvidoso, mas que mostra habilidade com o revólver nos momentos em que a ação se faz necessária. Outro personagem recorrente que aqui tem rápida participação é o Inspetor Bloch, encarregado de investigar a morte de John Browning, e que com seu ar cansado deixa entrevermos as marcas de um policial veterano que já viu muitos horrores pelas noites de Londres.


Contudo, talvez o maior destaque seja mesmo o Doutor Xabarás, que viria a se tornar um dos principais antagonistas de Dylan Dog, e que nesta história já apresenta sua faceta intrigante, misturando elementos puramente sobrenaturais atrelados ao seu passado, com outros de viés científico, vinculados às bizarras pesquisas que conduz.


Conforme já mencionei em um texto anterior, um dos fatores que mais me cativou nessa aventura foi o seu paralelo com o cinema de horror, não apenas por Dylan assistir e citar clássicos do gênero, mas também pela maneira com que a história se desenvolve, tendo inclusive os enquadramentos de alguns desenhos me passado a impressão de estar vendo um filme transposto para um gibi, como por exemplo, na sequência em que o investigar e seus companheiros são encurralados pelos zumbis em um vilarejo decadente e abandonado. É realmente memorável.


Sobre os desenhos de Stano, lembro que na época em que li a revista pela primeira vez estranhei um pouco, principalmente o uso destacado de sombras, que inclusive marcavam o rosto dos personagens em vários momentos, e também o aspecto meio “sujo” de alguns quadros. Mas, obviamente, isso foi proposital, para conferir a atmosfera lúgubre e opressiva que a história demandava, se prestando a isso com eficiência.


Por fim, penso que “A Volta dos Mortos-vivos” foi um ótimo cartão de visitas desse personagem que já se apresenta como um esquisitão de primeira, irônico, mulherengo e enigmático, mas, ao mesmo tempo, hábil como poucos para lidar com o limiar entre a realidade e o pesadelo. 


Classificação: 4   

Um comentário:

  1. Reli a 1ª edição e bom ... na época não tinha visto os filmes do Romero sobre Zumbi ... só comecei a ver tudo após de TWD e uma matéria em Mágico Vento creio, e as inferências são bacanas.

    Realmente a coisa do desenho sujo é interessante, logo que vi achei meio 'borrado' mas depois de reler ... a coisa muda e se pensa na intencionalidade do autor (desenhista) ... e a coisa de mortos vivos, errantes e walkers oriundos do túmulo, o mínimo que se espera que eles não tenham um desenho muito 'clean'.

    Agora é reler as próximas edições, e o blogue tem dado um belo incentivo à reler a coleção Record.

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