terça-feira, 23 de maio de 2017

08 – Dylan Dog – O Retorno do Monstro (Record)





Editora: Record
Autores: Tiziano Sclavi (texto), Luiggi Piccatto (desenhos)
Preço: Cr$ 3.500,00 (preço da época)
Número de páginas: 100
Data de Lançamento: Abril de 1992           

Sinopse: Dezesseis anos após ser acusado de assassinar brutalmente seis pessoas em uma propriedade rural no interior do País de Gales, um doente mental chamado Damien foge da instituição psiquiátrica em que estava internado. Temendo pela sua segurança, a jovem cega Leonora Steele, única sobrevivente do massacre, decide contratar Dylan Dog para ajudá-la. 

Crítica:

Se, assim como eu, você gostava de assistir slasher movies – forma genérica com que ficaram conhecidos os filmes de serial-killers psicopatas tão populares na década de 1980, cujos representantes mais famosos são as franquias Sexta-feira 13 e Halloween – então provavelmente vai adorar essa história. Tal como Jason Voorhees e Michael Mayers, aqui temos Damien, um personagem grandalhão, mentalmente perturbado e com fama de não ser um homem comum, mas sim um monstro, praticamente indestrutível.

O fato de a história se passar em um local ermo do interior também ajuda a criar essa atmosfera similar a dos filmes oitentistas, bem como a sequencia inicial, onde os vários cadáveres espalhados pela casa em posições bizarras remete de cara ao momento sempre presente neste tipo de película em que a mocinha descobre que os amigos e familiares estão mortos e que ela iminentemente terá que se digladiar com o assassino. Sobre essa cena de abertura em especial, arisco dizer que é uma das melhores de toda a série, onde a hesitação da menina cega em se deslocar pela casa repleta de sangue e mortos sem nada perceber causa uma angustia sutil, deixando o leitor na expectativa do momento em que o terror irá irromper com tudo.

Obviamente, em se tratando de um roteiro escrito por Sclavi, a aparente simplicidade de um enredo slasher vai se desdobrando em algo cada vez mais intrincado, onde o massacre de Steele House se revela como sendo apenas a sangrenta fachada de um mistério ainda mais terrível.

Apesar de achar que a barra foi forçada demais em um ou dois pontos da narrativa, o clima de constante tensão e suspense sustentado ao longo de toda a aventura faz com que essa seja uma das minhas favoritas entre as publicadas pela editora Record, o que não deixa ser curioso, uma vez que ela raramente é mencionada pelos fãs em fóruns ou páginas da internet dedicadas ao Investigador do Pesadelo. Além da supracitada sequência de abertura, também gostei bastante do relato sobre os anos em que Damien passou na instituição psiquiátrica e do final da história, muito mais amargo e melancólico do que propriamente assustador.

Como curiosidade, cito o fato de que nesta edição Groucho aparece em apenas três páginas, e mesmo assim consegue irritar um bocado os que estão ao seu redor, além de causar um belo prejuízo financeiro a Dylan. Igualmente curioso é o diálogo onde o Dr. Pierce pergunta ao Investigador do Pesadelo se Dylan Dog é um nome real ou “artístico” e este responde que o nome é uma homenagem prestada pelo seu pai ao poeta Dylan Thomas e o sobrenome, apesar de inusitado, também é verdadeiro, tanto que na infância lhe rendia piadas e deboches por parte dos colegas de escola.

No que tange aos desenhos, o traço de Piccatto não é muito detalhado, mas me agradou pelo bom uso das sombras – que diversas vezes contribui para o tom de suspense, como ao fazer o rosto de Damien permanecer oculto até quase o final da história – e os ângulos de diversos quadros que reforçam a impressão de se estar acompanhando um famigerado “filme de psicopata”.     
     
Classificação: 4,0 

Um comentário:

  1. Uma parte do Mistério meio que fica resolvido no começo da história, fazendo-se umas contas ... O outro, nem o próprio psiquiatra percebeu.

    E o final, é de cerrar os olhos!

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