quarta-feira, 7 de junho de 2017

11 – Dylan Dog – Diabolô, O Grande (Record)




Editora: Record
Autores: Tiziano Sclavi (texto), Luca Dell’Uomo (desenhos)
Preço: Cr$ 5.900,00 (preço da época)
Número de páginas: 100
Data de Lançamento: Julho de 1992          

Sinopse: Dylan e seu novo affair – uma moça chamada Vivien – vão a um espetáculo do famoso mágico conhecido como Diabolô, O Grande. Chegando lá, a garota é escolhida para participar de um número que acaba dando errado e por pouco não resulta em uma tragédia. Horas depois, Vivien é assassinada em seu apartamento, fazendo com que Dylan decida iniciar uma investigação por conta própria, tendo Diabolô como o principal suspeito do crime.

Crítica:

Nesta edição, Sclavi mais uma vez nos dá uma demonstração de sua enorme criatividade e inova em sua estrutura narrativa, fazendo com que a maior parte da história seja exposta ao leitor através da perspectiva da mente de um louco. Quando digo isso, não se trata de spoiler, pois já no prólogo fica claro que Diabolô é um sujeito muito perturbado mentalmente e que, direta ou indiretamente, tem ligação com todos os assassinatos da história. Sendo assim, o enredo se desenvolve enfocando elementos que lembram passagens das tramas de grandes obras de suspense, como Um Passe de Mágica, de William Goldman (não confundir com o livro de Agatha Christie) e Psicose, de Robert Bloch, que inspirou o clássico filme de Alfred Hitchcock. E por falar em Robert Bloch, ao que consta, ele é um dos escritores favoritos do roteirista Tiziano Sclavi, tanto que o nome do personagem recorrente – Inspetor Bloch – seria uma homenagem a ele.

Na medida em que a história avança, chama a atenção os funestos desdobramentos decorrentes da dificuldade em se manter a sutil linha que separa o artista do personagem, o criador da criatura e a genialidade da loucura. Vale menção também a pequena, mas providencial, participação do Inspetor Bloch e a nada discreta estratégia de Groucho para ajudar Dylan a parar de beber. Sobre esse último tópico, percebemos que é a partir desta edição que começam a ser mencionados de forma mais direta os problemas do Investigador do Pesadelo com o alcoolismo, algo apenas sugerido discretamente em edições anteriores.

Lembro também que quando li esta aventura pela primeira vez, na época de seu lançamento nas bancas, fiquei confuso quanto ao final, desconfiando que pudesse não ter entendido direito. Agora, relendo para a elaboração desta resenha, percebo que ele é realmente ambíguo, deixando totalmente em aberto ao leitor a possibilidade de “decidir” até que ponto a última cena é um derradeiro olhar sob o prisma da loucura ou é uma manifestação de natureza sobrenatural.  
  
Os desenhos de Luca Dell’Uomo parecem melhores aqui do que em seu trabalho anterior na série, na edição nº 05, estando mais detalhistas ao retratar a fisionomia dos personagens e caprichando no realismo das cenas gore.

Infelizmente, esta foi a última edição da série regular de Dylan Dog publicada pela editora Record, uma vez que as baixas vendas levaram o personagem a sucumbir diante da crise econômica que assolava o Brasil no início da década de 1990, mesmo destino de outros heróis como Martin Mystère, Nick Raider e Mister No, que também tiveram suas revistas canceladas. No verso da contracapa há um melancólico texto anunciando os cancelamentos, inclusive de forma equivocada, pois diz que a série de Dylan Dog seria interrompida no nº 10, enquanto na verdade já se tratava da edição nº 11.


Fora da série normal, a Record publicou duas edições especiais, sendo uma deles um crossover com Martin Mystère, intitulada “Última Parada: Pesadelo”, lançada em janeiro de 1992, e a outra “Incubus”, que saiu em formato gigante no ano de 1993, sendo este o último lançamento de Dylan Dog pela editora carioca.
  
Classificação: 4,0 

Um comentário:

  1. Trocaram o Dylan pelo Nick Raider. Dylan teve 11 edições e o Nick 10!

    Eu não lia nesse tempo. Conheci os personagens no especial Fumetti da Globo, publicado quando a Record já tinha jogado a toalha! Nesses tempos de Plano Collor eu não tinha dinheiro para experimentar séries novas. Depois comprei tudo (literalmente! Todas as quatro séries, só não achei o último Mister No e a raríssima Incubus) em sebos. De lá para cá me desfiz do Dylan (fora o crossover com MM) e do Mister No, que obtive em italiano. MM eu coleciono, então não passo adiante mesmo já tendo boa parte desse material em italiano e Nick Raider eu não faço questão de comprar em italiano.

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