quarta-feira, 30 de agosto de 2017

03 – Dylan Dog – Memórias do Invisível (Conrad)




Editora: Conrad
Autores: Tiziano Sclavi (texto) e Giampiero Casertano (desenhos)
Preço: R$ 5,90 (preço da época)
Número de páginas: 98
Data de Lançamento: Março de 2002

Sinopse: Dylan Dog é contratado pela prostituta Bree Daniels para investigar as ações de um serial-killer que anda matando suas colegas pelas noites de Londres. Paralelamente, acompanhamos um misterioso homem invisível que também busca pelo assassino no intuito de vingar a morte de uma prostituta pela qual era apaixonado. 

Crítica:

Essa história é mais um exemplo de como a genialidade de Sclavi consegue reunir em um número relativamente pequeno de páginas diversos elementos clássicos dos thrillers de forma coesa, formando uma narrativa empolgante e quase impossível de se largar antes da conclusão da leitura. Está aqui o jornalista sensacionalista que adora espetacularizar os crimes e questionar o trabalho da polícia para obter notoriedade, a vítima em potencial que decide bancar uma caçada por conta própria, o apaixonado que resolve procurar o assassino da amada e os copycat, criminosos que imitam o modus operandi de assassinos anteriores.

Também vemos um Inspetor Bloch deixando transparecer seu lado mais humano e vulnerável e um Groucho menos loser e mais esperto nas suas já tradicionais cantadas às clientes do Investigador do Pesadelo.
O principal destaque vai para o enredo bem construído, que nos deixa o tempo inteiro na expectativa de descobrir de quem é a responsabilidade pelas mortes e qual é a identidade do homem invisível. E por falar neste último, sempre que o personagem recebe o foco das atenções nos deparamos com mais dos recorrentes recursos metalinguísticos usualmente utilizados por Sclavi, com o personagem dialogando diretamente com o leitor. Também me parece digno de nota a coragem do roteiro em mostrar o herói apaixonado por uma prostituta e até chorando ao se sentir rejeitado por ela, evidenciando não apenas as já conhecidas melancolia e carência afetiva de Dylan, mas também um nível de desprendimento que não se rende a falsos moralismos.

Em relação aos desenhos, posso dizer que o trabalho de Casertano está excelente, provavelmente entre os melhores que já desenvolveu enquanto ilustrador de Dylan Dog.

Creio não haver dúvidas de que “Memórias do Invisível” está entre as melhores aventuras do Investigador do Pesadelo e, de minha parte, só não a considero perfeita porque me parece que no último ato o roteiro passou um pouco do ponto em termos de reviravoltas. Sempre considerei os finais inconclusivos como sendo especialmente charmosos e instigantes, mas aqui temos pelo menos três possibilidades interpretativas para a identidade/natureza do homem invisível e no desfecho não há evidências suficientes para se ater a nenhuma delas, exigindo do leitor uma boa dose de abstração e especulação caso queira sustentar alguma teoria coerente.

E você, já tem a sua própria teoria?  

Classificação: 4,5

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