quarta-feira, 6 de setembro de 2017

04 – Dylan Dog – Morgana (Conrad)




Editora: Conrad
Autores: Tiziano Sclavi (texto) e Angelo Stano (desenhos)
Preço: R$ 5,90 (preço da época)
Número de páginas: 98
Data de Lançamento: Abril de 2002

Sinopse: Uma jovem acometida por lapsos de memória e estranhos sonhos circula por Londres à procura de Dylan Dog. Ao mesmo tempo, o Investigador do Pesadelo se vê às voltas com um complexo sentimento de estar apaixonado sem saber por quem, enquanto uma médium que prenuncia a chegada de um “horror” indizível o cobra que tome providências antes que seja tarde demais.  

Crítica:

Chegamos a mais uma história que já se tornou um clássico de Dylan Dog, muito marcante não apenas por trazer de volta o icônico vilão Xabaras, mas também por apresentar aos leitores a polêmica personagem Morgana. Contudo, será que, apesar de fazer parte do cânone do Investigar do Pesadelo, essa aventura é tão boa quanto famosa?

Da mesma forma com que acontece em várias outras edições, aqui o que chama a atenção logo de cara é a estrutura narrativa, que nos apresenta uma sucessão de imagens oriundas de sonhos e pesadelos de diferentes personagens, vislumbres de um hipotético futuro apocalíptico, lembranças distorcidas do passado, imaginação de realidades paralelas e o diálogo metalinguístico entre um escritor/desenhista e a própria história que está sendo contada nos quadrinhos. Tudo isso é feito sem deixar claro ao leitor quando se trata de uma situação ou outra, o que não deixa de ser confuso e certamente desagradável àqueles mais acostumados com narrativas lineares e tradicionais, ainda que isso seja parte do conceito artístico – e quem sabe até filosófico – incansavelmente defendido por Sclavi e que me parece muito bem ilustrado nas falas de seus próprios personagens, como no momento em que Reed diz que não está entendendo nada do que se passa e a Senhora Trelkowski responde que “entender não é assim tão importante”, ou quando Xabaras afirma que, em última instância “a única coisa real é o pensamento”.

Mesmo com tiradas acima da média de parte de Groucho e boas cenas gore de Londres infestada por zumbis ávidos por devorar vítimas incautas, o ápice da história acaba sendo mesmo o encontro entre o Investigador do Pesadelo e Xabaras, onde são retomados os eventos subsequentes ao final de O Despertar dos Mortos-vivos (nº 01 da Record e 02 da Conrad). Porém, é deste encontro que decorre também aquele que considero o maior problema da aventura, pois foi plantada uma semente – que se trata da relação de parentesco entre Dylan, Xabaras e Morgana – que iria render frutos muito polêmicos em edições futuras e que, particularmente, me desagradam por parecem forçados e inconsistentes, vide a edição nº 01 da editora Mythos, intitulada A História de Dylan Dog, que iremos resenhar futuramente. Sobre esse ponto em especial, a impressão que tenho é que tudo se tratou inicialmente de uma espécie de piada de humor negro, conforme mencionado pelo escritor/desenhista nos dois últimos quadros da página 95 – “é sempre melhor encerrar com algumas dúvidas” – mas, depois que a ideia foi lançada, Sclavi se viu obrigado a esclarecê-la no futuro e, pelo menos na minha opinião, isso não foi feito de forma satisfatória. 

Por sua vez, os desenhos de Stano seguem o seu padrão habitual, que agrada a muitos e desagrada a outros tantos.

Em suma, Morgana não é uma edição facilmente digerível. Para apreciá-la é preciso uma considerável predileção por aventuras complexas e enigmáticas, além de uma boa dose de desapego às narrativas lineares tradicionais. Dessa forma, é possível se apreciar seus pontos positivos e, quem sabe, até se motivar a continuar na busca de mais informações sobre os misteriosos Xabaras e a personagem que dá título à história.  
  
Classificação: 3,5   

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