quarta-feira, 27 de setembro de 2017

06 – Dylan Dog – Depois da Meia-noite (Conrad)




Editora: Conrad
Autores: Tiziano Sclavi (texto), Gianpiero Casertano (desenhos)
Preço: R$ 5,90 (preço da época)
Número de páginas: 98
Data de Lançamento: Abril de 2002

Sinopse: Ao chegar em casa pouco depois da meia-noite, Dylan Dog percebe que esqueceu a chave e, como Groucho não aparece para abrir a porta, ele acaba fadado a perambular pela madrugada londrina, se envolvendo em situações insólitas e encontrando indivíduos bizarros, chegando ao ponto de se tornar suspeito de diversas mortes cometidas por um serial-killer que anda à solta pelas ruas.

Crítica:

Desde a sua edição de estreia, ficou claro que as aventuras de Dylan Dog teriam como uma de suas principais fontes de inspiração o cinema fantástico, com roteiros contento recorrentes referências mais ou menos explícitas a filmes clássicos e cult de suspense, ficção científica ou terror em sua forma mais tradicional. No caso específico de “Depois da Meia-noite”, a película que forneceu a Sclavi a ideia central para o seu enredo foi a obra “Depois de Horas” (After Hours), lançado em 1985, tendo o renomado Martin Scorsese como diretor e Griffin Dunne como ator principal.

Tanto no filme quanto no gibi a lógica da história é a mesma: um cara que simplesmente não consegue voltar para casa, acabando por enfrentar todo tipo de constrangimentos e perigos pelas ruas e, como em uma típica comédia de erros, nada do que se tenta fazer dá certo, de forma que a situação só vai ficando pior a cada hora que passa.

A homenagem que Sclavi presta ao filme que inspirou seu roteiro é evidente não só nas semelhanças do enredo e do título, mas também por “pistas” deixadas ao leitor no transcorrer da história, como o fato de o affair de Dylan morar na Griffin Street e o livro que o Inspetor Bloch está lendo se chamar “Murder in The Dunne Street”, em uma óbvia referência ao nome do ator que protagoniza a película.

De maneira geral, “Depois da Meia-noite” é uma história de humor negro, cujo objetivo principal é nos fazer rir – mesmo que seja um riso meio angustiado – com as enrascadas cada vez mais surreais e ameaçadoras em que Dylan se envolve, ainda que o andamento humorístico seja entrecortado por cenas de violência gore, com direito a machadadas na cabeça, mutilações e muito sangue. O tom só muda no final, onde a comédia sai de cena e sobra só a violência, crua e impactante. É uma aventura que destoa um pouco do estilo mais tradicional do personagem, e quem não curte muito esse desenvolvimento mais calcado na ironia, talvez sinta um certo desapontamento com a leitura.

Como curiosidade, temos o fato de que, apesar de ser citado várias vezes ao longo da história, Groucho só aparece mesmo na última página da revista.

Os desenhos de Casertano são muito bons, principalmente nas ocasiões em que retrata com grande detalhismo as fisionomias dos personagens, merecendo destaque aquele que é apontado como um “sósia do Mickey Rourke”, que realmente mantém verossimilhança com a aparência do ator estadunidense na década de 1980.

E com esta edição conclui-se o polêmico ciclo de Dylan Dog na editora Conrad. Até hoje não há informações confiáveis sobre o volume de vendas na época do lançamento dessas seis edições. Algumas fontes dizem que a série vendeu bem, outras dizem que não, mas o fato é que a editora paulista não se motivou a levar adiante as aventuras do personagem, de tal forma que o Investigador do Pesadelo só voltaria a dar às caras em nossas bancas alguns meses depois, através da editora Mythos, naquela que foi a mais longeva série do personagem em terras brasileiras. Mas, isso já é assunto para outros textos.    
   
Classificação: 3,5   

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